2000: Salvador - Brasil
13 de Septiembre del 2000 - El Mostrador
Protestan contra La Esmeralda en Brasil
Organismos de derechos humanos de Brasil organizan una protesta mañana a las
16 horas locales en el puerto de Salvador por la presencia del buque-escuela
chileno La Esmeralda, en esa ciudad desde el lunes de esta semana.
El buque, que ha recorrido las Américas desde que zarpó de Valparaíso, Chile
el 29 de abril pasado, fue utilizado por la Armada chilena como lugar de
detención y tortura de prisioneros políticos posterior al golpe militar el 11 de
septiembre de 1973.
En su recorrido, ha enfrentado las protestas de grupos de derechos humanos y
chilenos residentes en el exterior, quienes quieren recordar el pasado del buque
y exigen que el capitán del barco, asi como las autoridades chilenas, reconozcan
públicamente que unas 120 personas fueron detenidas y torturadas a bordo tras el
golpe.
Los manifestantes protestan por el uso de La Esmeralda como lugar de
reclusión de al menos 120 presos políticos chilenos, quienes sufrieron torturas,
según se constata en el Informe Rettig elaborado por la Comisión de Verdad y
Reconciliación de Chile en 1991, y en anteriores informes de la Comisión de
Derechos Humanos de la Organización de Estados Americanos (OEA), Amnistía
Internacional, y el Senado estadounidense.
La Esmeralda permanecerá en Salvador hasta el 15 de septiembre, partiendo
rumbo hacia Río de Janeiro, donde llegará el día 20. Las organizaciones de
derechos humanos, encabezadas por el grupo Tortura Nunca Mais, también
planifican manifestaciones en esa ciudad de Brasil, donde estará hasta el 24.
Ese día, La Esmeralda parte hacia Montevideo, Uruguay, llegando el 1 de octubre
y permaneciendo en ese puerto hasta el día 4.
El día siguiente, el buque chileno zarpa hacia Buenos Aires, Argentina, donde
se quedará hasta el día 9, partiendo ese día de regreso a Chile, al puerto de
Punta Arenas.

Porão flutuante
O belo veleiro chileno atrai protestos por onde passa
Fuente: www.veja.com.br
27/0/2000
Leonardo Coutinho
Ancorou na quarta-feira passada no porto do Rio de Janeiro o navio Esmeralda,
uma maravilha dos sete mares. Terceiro maior veleiro do mundo – com seus 113
metros de comprimento –, ele navega com 29 velas infladas pelo orgulho do povo
do Chile diante da imponência desse barco que pertence à Marinha de seu país
desde 1954. Mas o Esmeralda, nos portos por onde passa, atrai, além de olhares
de admiração, protestos de grupos ligados à defesa dos direitos humanos porque
leva nos porões parte de um capítulo dramático da História chilena. Pelas contas
dessas entidades, 112 presos políticos foram torturados a bordo do Esmeralda
logo após o golpe do general Augusto Pinochet, em 1973. Um dos casos mais
célebres é o do padre anglo-chileno Michael Woodward, que viria a morrer dias
após o golpe no Hospital Naval de Valparaíso, depois de `assar por
interrogatórios a bordo do navio. O episódio envolvendo Woodward faz parte do
processo conduzido pelo juiz espanhol Baltasar Garzón, que pediu a prisão do
general Pinochet na Inglaterra, em 1998.
Grupos brasileiros, ao lado de chilenos que vivem no Brasil, fizeram
manifestações no Rio e em Salvador, onde a embarcação estava ancorada duas
semanas atrás. Apenas nesta viagem, a presença do imponente barco de mastros de
48 metros de altura provocou protestos também nos portos de Quebec, Halifax, New
London, Nova York, Baltimore e Norfolk. A Marinha chilena trata essas situações
como atos de "chilenos rancorosos" e não discute a hipótese de terem ocorrido
torturas a bordo no passado. Mas o relatório Rettig, como ficaram conhecidos os
dois volumes que traçaram uma radiografia da violação dos direitos humanos no
Chile – e têm importância equivalente ao que foi feito no Brasil pelo trabalho
conhecido como Brasil: Nunca Mais –, diz que "a Marinha usou as dependências do
veleiro para interrogatórios que, regra geral, incluíam tortura e maus-tratos".
Nos dezenove anos anteriores ao golpe militar no Chile, o "La Dama Blanca", como
o barco é conhecido, era uma espécie de embaixada móvel daquele país. Construído
pelo governo da Espanha, em 1953, o veleiro foi entregue aos chilenos como parte
de pagamento de importações. No dia 11 de setembro de 1973, ele era um dos três
navios ancorados em Valparaíso, a 137 quilômetros de Santiago. "Como não havia
mais espaço nos poucos quartéis de Valparaíso, o Esmeralda foi usado durante os
primeiros dias do golpe como local de interrogatório de autoridades ligadas ao
governo deposto", revelou um ex-preso da Escola de Guerra da Marinha, sediada
naquela região. Para o cadete Nicolas Wulf, nascido cinco anos depois de o
Esmeralda ter sido palco de arbitrariedades, os protestos a que ele e o restante
da tripulação de 330 pessoas assistem em cada porto são injustos. "Estamos
diante de uma das coisas mais lindas de meu país, mas nos olham como se fôssemos
parte desse passado", ele desabafa.